domingo, 24 de abril de 2011

A Saga de Ÿrm - Capitulo 3

Capítulo 1

Capítulo 2


Novos horizontes



Meus olhos estavam arregalados tentando acompanhar todos os detalhes que surgiam freneticamente na minha tela translúcida. Centenas de milhões de megawatts estavam sendo consumidos a cada segundo da experiência.
Eu aguardava ansioso o momento em que o cérebro quântico anunciaria a precipitação de matéria exótica.
De repente, uma voz fria e metálica ecoou na sala.


- Matéria exótica sintetizada com êxito. Diâmetro aproximado da esfera: três microns. Iniciando o processo de bombardeio de elétrons.


- VIVA! VIVA! – gritei descontrolado


Ao meu lado o Dr. Thurnik pulava como criança. Nossa comemoração foi interrompida pela voz metálica.


- O feixe de elétrons está atravessando a matéria exótica e sendo enviada com êxito para algum ponto dentro de nosso sistema solar. Provavelmente, está emergindo do hiperespaço na crosta do planeta UZW23.


Agora sim comemorávamos para valer. A experiência era um sucesso total. Tínhamos sintetizado a matéria com massa negativa e havíamos criado um túnel pelo hiperespaço até um planeta deserto dentro do nosso sistema solar.


- Muito bem – falou Dr. Thurnik com satisfação – experiência concluída com sucesso. Podemos desligar todos os geradores e reatores.


- Processo de desligamento iniciado – falou a voz metálica.


O clima era de festa. Tudo ocorrera conforme o previsto. Estava tudo perfeito. Dr. Thurnik abriu uma pequena geladeira e tirou uma garrafa de champagne. Cada um de nós pegou uma taça.


- Um brinde ao futuro das viagens interplanetárias – bradou Dr. Thurnik com orgulho.


Eu estava sorvendo o primeiro gole quando uma luz vermelha de alerta acendeu, ao mesmo tempo em que soou o alarme de perigo. Num primeiro momento, não percebi o que estava acontecendo. Ainda com as taças de champanhe na mão, entreolhamo-nos com estranheza.
Mecanicamente voltei minha atenção para o monitor. Como programado, todo o fornecimento de energia à câmara da experiência havia sido cortado. Porém, estranhamente, o monitor acusava que a pequena esfera de matéria exótica não tinha desaparecido, como previamente calculado.


- O que houve? Perguntou Dr. Thurnik aos técnicos.


- Não sei – alguém respondeu – a energia foi cortada corretamente.


- Doutor – falei com perplexidade – a esfera ainda está lá!


- Mas, não pode ser. Esta estrutura não pode se sustentar por si própria, não sem a energia de apoio.


Contudo o monitor continuava a mostrar uma pequena esfera de matéria exótica dentro da câmara de síntese.
De repente, senti um leve tremor. Mau sinal, algo estava fora de controle. Como um autômato fixei meus olhos no monitor e constatei aterrorizado que a pequena esfera estava crescendo a uma grande velocidade. Se continuasse assim, em pouco tempo atingiria as paredes da espessa câmara de síntese.


- Doutor – felei com a voz tremula – olhe isso.


Mas, o Dr. Thurnik estava com a atenção voltada para o coração daquela grande construção. Seus olhos estavam fixos em um ponto qualquer. Lentamente segui o seu olhar. A câmara de síntese estava emanando uma estranha luz violeta pulsante. Parecia que iria explodir a qualquer momento!
Rapidamente, sem nos dar chance para reagir, aquilo que era uma luz violeta pulsante cresceu rapidamente e se transformou em uma enorme esfera negra. A grande esfera, a medida que crescia, engolia tudo que estava pela frente. Em poucos segundos aquele monstro negro nos alcançou. Instintivamente tentei proteger o rosto com os braços.
Senti uma tontura leve, seguida de um pequeno torpor por todo o corpo. Instantaneamente, a grande esfera negra desapareceu.
Tateei freneticamente o meu corpo para ter certeza de que ainda estava vivo. Olhei ao meu redor, e lá estavam o Dr. Thurnik, e os outros técnicos tão atônitos com eu. Depois do pânico, uma alegria infinita invadiu meu ser. Estávamos todos vivos e, aparentemente, bem.


- Estão todos bem? – Perguntou o doutor com preocupação.


- Eu acho que sim. – respondi timidamente.


- Eu estou bem. – falou WalthYr, que era o nosso técnico especializado em geradores de energia.


- Eu também – confirmou ZhiLux, o técnico de robótica e computadores quânticos.


Por fim, todos da equipe estavam bem. A luz de alerta continuava a piscar freneticamente e o alarme sonoro ainda não silenciara. Olhei para o meu monitor e constatei que a câmara de síntese estava vazia. A partícula de matéria exótica que havíamos criado desaparecera por completo.


- Doutor Thurnik – gritou ZhiLux – Estamos perdendo altitude rapidamente.


- Como assim? – perguntou perplexo o doutor – O que aconteceu com os defletores gravitacionais?


- Não sei – respondeu o técnico sem tirar os olhos de seu monitor – Está ativo normalmente, contudo não está conseguindo manter a flutuação do laboratório!


- Quanto tempo temos até tocar o chão?


- Pelos meus cálculos temos menos de um décimo de Khon. - Respondeu o rapaz, (isso é perto de dois minutos no planeta Terra).


Me aproximei para acompanhar a conversa dos dois. O Dr. Thurnik retirou os óculos e passou a mão pela vasta cabeleira. De repente, sentimos um forte impacto. Tudo dentro de laboratório tremeu como se fosse um forte abalo sísmico!
Vários aparelhos tombaram sob efeito do tremor. Fui lançado ao chão. Agora eu estava novamente toma do de pavor. O todo o grande laboratório começou a inclinar, gerando mais tremores e um som horrível de metal retorcendo.
Por fim, para nosso alívio, o imenso laboratório estabilizou e parou de inclinar. Levantei, me apoiando em uma máquina. SwaFlo, um dos nossos auxiliares estava preso embaixo de um grande painel.
Aparentemente o rapaz estava desmaiado, pois não se mexia e também não emitia qualquer som. Corri na sua direção com dificuldade, primeiro pela inclinação do chão e também porque esta sentindo fortes dores nos joelhos e nas costas.
Quando cheguei mais perto do jovem SwaFlo percebi a gravidade da situação. Um grosso filete de sangue começava a escorrer pelo chão inclinado. O rapaz estava muito ferido.


- Doutor – gritei desesperado – precisamos de ajuda médica.


Não obtive resposta alguma. Corri, como pude até a porta da sala de controle. Deveria haver algum androide médico no laboratório. Quando, finalmente, consegui abrir a porta, que estava parcialmente obstruída, percebi que vários adoides já estavam do lado de fora prontos para entrar em ação e ajudar.


- Tem algum androide médico entre vocês? – Gritei quase sem forças.


Foi com muita alegria que vi um androide se apresentar como médico.


- SwaFlo – falei sem demora – ele está ferido.


- Sim senhor – foi a resposta do autômato, que sem delongas entrou rapidamente na sala de controle.


Ordenadamente, os outros androides foram entrando e iniciaram o processo de arrumação, dentro do quê o ambiente permitia.
Dois androides construtores ergueram a pesada maquina que estava sobre o pobre rapaz. Ele estava com uma perna esmagada e perdia muito sangue. O androide médico não perdeu tempo e iniciou ali mesmo uma complicada operação. Este tipo de androide, normalmente, possui quatro braços além de outras ferramentas móveis com diversas utilidades.
A primeira providência do autômato foi estancar a hemorragia. Em seguida, com uma velocidade incrível fez diversas incisões e reposicionou muitos músculos e tecidos ósseos da perna de SwaFlo.
Ministrou ao rapaz uma boa dose de analgésico misturado com sangue artificial. A ação rápida e precisa do androide salvou a vida do técnico. Contudo, do joelho para baixo, a perna estava condenada. Seria necessário outro tipo de intervenção para reconstituir o membro.
Pouco a pouco os outros membros da equipe surgiam aqui e ali. Deixei o androide trabalhando e foi procurar o Dr. Thurnik. Avistei o mestre, descordado em um canto da sala.


- Doutor, doutor – chamei com energia.


Procurei coloca-lo em uma posição melhor.


- Doutor – voltei a chamar.


- Hummm. O que aconteceu? – Perguntou o mestre com voz sofrida.


- Não sei doutor, acho que o laboratório caiu no chão e inclinou!


- Sim, me lembro que perdemos flutuação. Mas, chegamos ao chão muito rápido.


Neste momento ZhiLux se aproximou cambaleante.


- Doutor – disse o rapaz – chegamos rápido ao chão porque não estávamos a três mil metros de altura mas apenas a cem ou cento e cinquenta metros!


- Impossível! Se tivéssemos perdido tanta altitude perceberíamos com facilidade. Que diabos está acontecendo aqui?


O mestre se levantou com certa dificuldade.


- O que aconteceu com SwaFlo? – perguntou ao ver o rapaz sendo atendido pelo androide.


- Um painel caiu sobre ele e esmagou uma de suas pernas.


- Por Yrm! Como isso pode acontecer. Como ele está?


- Agora está fora de perigo. Mas precisa ser levado ao hospital. – respondi prontamente.


- Alguém já pediu socorro?


- Estou tentando – falou Zahrs, que estava tentando todos os meios de comunicação possíveis.


- Qual a previsão de chegada de socorro – perguntou Thurnik com certo desespero.


- Não sei, não consigo falar com ninguém!


Doutor Thurnik olhou para mim com um olhar estranho.


- O que será que pode ter acontecido? – perguntou falando consigo mesmo.


- Vamos – falou convicto – quero dar uma olhada lá fora.


Já estávamos dentro do transleve quando WalthYr gritou.


- Esperem! Esperem, o ar lá fora não está respirável. Está com um teor muito elevado de metano!


- Metano? – inquiriu atônito o Thurnik. – Como assim?


- Não sei – respondeu com certo desespero – a temperatura do exterior também está muito baixa, dezenas de graus abaixo do normal!


- Por favor senhor WalthYr, se tiver alguma imagem do exterior, coloque-a no telão principal. – pediu o doutor como que antevendo as imagens que veríamos a seguir.


O telão principal foi tomado pela imagem de um lugar deserto, coberto por uma grossa camada de gelo eterno. A temperatura externa (Na unidade de medida Terra) era de -95 graus Celsius. A pequena câmera exterior fez uma busca de 360 graus e o deserto de gelo se estendia até o Horizonte para todos os lados. No céu, apenas um dos sois do sistema estava visível.




Continua



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