domingo, 10 de abril de 2011

A Saga de Ÿrm - Capitulo 1

Nasce uma Ideia.

 “Esta história começa a pouco mais de 500 mil anos atrás, em um planeta que fica a 211 anos-luz daqui. Ÿrm é um pequeno planeta, muito parecido com a Terra, que pertence ao sistema solar de Omicron Cephei. Este maravilhoso sistema de dois sóis, por sua vez, está na constelação de Cepheus dentro de nossa querida Via Láctea.
Ÿrm é o berço de uma civilização bastante evoluída e muito pacífica. Seus habitantes buscam a auto realização e a paz interior, sem deixar de lado a evolução científica, moral, social e espiritual.
Este é um dia impar para a evolução deste planeta: pois não importa a grandeza de um feito, ele sempre nasce de uma ideia.”



Abri os olhos abruptamente, acabara de acordar de um sonho revelador. Logo um leve sorriso se desenhou em meus lábios.
As imagens do sonho ainda estavam nítidas em minha memória. Levantei cambaleando a procura de um pedaço de papel para fazer algumas anotações e tentar reter o máximo de informações sobre aquele sonho insólito.
Ouvi um barulho que vinha da cozinha, certamente CYhara estava preparando a nossa refeição matinal. Revirei algumas gavetas e finalmente achei um pequeno bloco de papel. Passei a escrever freneticamente tudo o que lembrava. Em poucos minutos havia escrito mais de vinte páginas do pequeno caderno.

Bem ainda não me apresentei, me desculpe, eu sou Phytarco Hortheu membro da Academia Ciência no setor de estudos sobre física teórica na cidade de Yargheu. 
Meu amigo, venho estudando a possibilidade de sintetizar matéria exótica há mais de vinte anos!
- Querido, o café já está na mesa, venha senão vai esfriar. – gritou CYhara com leveza feminina.
- Já vou, meu amor. – Respondi, enquanto pensava na benção da existência daquela maravilhosa frutinha vermelha chamada café! Ah, se o Universo não a tivesse criado, certamente precisaríamos sintetizá-la de algum modo.

CYhara é a minha jovem e amada esposa. Ela também é membro da Academia de Ciência, com a diferença de que estuda botânica. Nosso primeiro encontro ocorreu no laboratório de clones, na área de plantas carnívoras gigantes geneticamente modificadas.

Não sei se já te contei, mas às vezes eu sou meio distraído, perdido no meu mundo mental. 
Naquele dia eu estava tão compenetrado em uma pesquisa que entrei, sem querer, na área de plantas carnívoras quando de repente... Bem esta é outra história, o fato é que conheci CYhara, nos casamos e somos muito felizes. Bem é melhor eu descer tomar café com a minha amada.

- Querida – disse apressado – tive um sonho magnífico, um sonho revelador sobre como sintetizar matéria exótica.

Devo confessar que as ultimas silabas da minha frase saíram com entonação um tanto exagerada.
CYhara sorveu, delicadamente, mais um gole de seu leite e olhou para mim com ternura.

- Outro sonho meu amor?
- Não, minha querida, esse é o sonho!!!
- Que bom, espero que você esteja certo. – falou candidamente.

Devo confessar também que alguns sonhos que tive ehh... não deram muito certo. No entanto, estava convencido de que aquele era realmente o sonho.

- Querida – iniciei uma tentativa de explicação – imagine uma certa quantidade de plasma de hidrogênio confinada em um campo toroídal de alta energia...

- Meu amor – disse CYhara com doçura, – eu não entendo nada dessas coisas. Mas podemos falar sobre plantas carnívoras se você quiser. – continuou com tom de provocação.

- Empatou, eu conheço plantas carnívoras apenas por dentro. – respondi mecanicamente ao mesmo tempo em que me lembrava das circunstâncias que levaram ao nosso primeiro encontro.

Resolvemos conversar sobre outros assuntos e pouco depois estávamos a caminho da Academia de Ciência. Eu estava exultante, não via a hora de falar com meus colegas sobre as novas idéias que povoavam a minha mente. Talvez com a formula certa, com os elementos corretos, talvez fosse possível sintetizar matéria exótica.

Não tardou muito e o transleve estava pousando no hangar da Academia. Mal o veículo tocou o chão eu saltei e corri para o laboratório de física.

Como de costume o Dr. Thurnik já estava em sua mesa de trabalho. Trazia o olhar perdido em algum ponto da parede branca. Parecia absorto, com seu espírito investigando alguma coisa muito longe dali.

- Dr. Thurnik – chamei em vão.
- Dr. Thurnik – tentei novamente, agora com mais energia na voz.
- Hã... Sim, sim – disse enquanto procurava na mesa os óculos que estavam na cabeça servindo de tiara para prender sua vasta cabeleira grisalha.

Por fim, o físico teórico mais importante da nossa época encontrou os óculos, colocou-os e olhou para mim.
- Phytarco meu jovem, é você. Chegou cedo hoje - disse com bondade, sem fazer a menor ideia de qual parte do dia estávamos.

- Doutor – falei pausadamente – eu acho que tenho a resposta para o problema de como sintetizar matéria exótica...

***

Você deve estar aí pensando que raio é essa tal de matéria exótica. Bom para não cansá-lo com explicações extensas posso dizer que matéria exótica é um composto hipotético cuja principal característica é de possuir massa negativa.

Aí, você me pergunta: E daí?

E eu respondo: Com uma porção dessa belezinha eu poderia abrir passagens no espaço-tempo.

Aí, você diz: E daí?

E eu respondo: Viagem em velocidade maior que a velocidade da luz!
Aí, talvez você finja que o telefone celular está tocando, pega alguma coisa no bolso (não necessariamente um celular), vira-se de costas e finge que está atendendo a um chamado importante. Em seguida, você olha pra mim, pede desculpas e sai apressado alegando que precisa resolver um problema urgente.

***

Bem o Dr. Thurnik olhou para mim com certo ar de incredulidade, mas depositou toda a sua atenção em mim.
Levei perto de duas horas para explicar tudo que estava em minha cabeça. A expressão do doutor foi mudando e ao final da minha explanação ele estava com o rosto iluminado. Seus olhos brilhavam e quase não se continha comentando possíveis desdobramentos e também sobre como poderíamos testar a teoria.

- Phytarco, meu jovem – disse exultante – essa é realmente uma ideia maravilhosa! Podemos tentar sintetizar uma quantidade microscópica de matéria exótica e se der certo, tenho certeza que conseguirei verba para um projeto grandioso.

Acho que não dá para descrever como estava a minha cara, não é mesmo. Pense um pouco... Mais de vinte anos trabalhando, arduamente, em uma ideia e quase que de repente, alguém, muito respeitável basicamente o chama de gênio! 
Bem, talvez eu esteja exagerando um pouquinho. O fato é que eu estava com a mais perfeita e inquestionável cara de bobo alegre que alguém pode fazer.

- É muita bondade sua Dr. Thurnik, na verdade esta é apenas uma ideia e...

- Não, não meu jovem. Esta não é apenas uma ideia, esta é a ideia que estamos buscando por tantos anos. Vamos, – disse enquanto se levantou da confortável poltrona -  vamos falar com o superintendente. Precisamos nos preparar para um experimento.





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